“Quem pode dizer que tinha um Bambi? Que tinha um Bocão? Que tinha um trenzinho? A gente pode!” A frase com indisfarçável tom de saudosismo é da servidora pública Cibele Bargas, contadora no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Aos 28 anos, ela experimentou, ao lado da irmã Diana, de 27, estudante de engenharia florestal na UnB, um retorno no tempo na Escola Maria Montessori. Alunas nos anos 1990 do maternal ao Jardim III, elas guardam uma memória afetiva e fotográfica repleta de momentos marcantes vividos no colégio.

“Tudo aqui traz recordações, lembranças, uma sensação de carinho. Lembro demais do tapetinho que a gente usava, colocava as atividades em cima, enrolava e guardava. Da mesinha da água, com o copinho de cada um. De atividades de costura em pedacinhos de tecido, que tínhamos de cruzar como se fosse um cadarço. E, claro, do trenzinho, do carrossel, da piscina” , listou Cibele, logo após um passeio em um dos vagões que cruzava a escola no momento da entrevista, junto com alunos do maternal II.

O passeio da dupla integra um projeto especial. Um trabalho de resgate de memórias e histórias de pessoas que fizeram e fazem a Escola Maria Montessori, que em julho de 2020 completará 50 anos. A ideia é, a partir desses perfis e entrevistas, montar um mosaico de narrativas e vivências que ajudem a traçar um retrato da repercussão do trabalho da instituição ao longo dessas cinco décadas.

As irmãs aproveitaram a visita e trouxeram um arsenal de trabalhos e objetos feitos quando eram alunas e que mereceram um lugar de destaque nos arquivos de família. Fotos das duas em pratinhos e em caixinhas de joias feitas para o Dia das Mães, capa de livro de receitas, bloquinhos de anotações com elas vestidas em roupas de época e até fichas de avaliação. Relíquias de um tempo em que a experiência delas com a proporção da escola tinha um significado bem distinto do atual.

“É impressionante. O castelinho parecia gigante. Os parquinhos pareciam muito, muito distantes um do outro. Para nós, na época, era tipo uma viagem ir de um ao outro. Hoje a gente vê que estão bem pertinho”, brincou Diana, enquanto observava o escorregador em que fez questão de repetir, mais de duas décadas depois, uma foto que havia feito ao lado da irmã quando eram crianças.

Mais do que a proporção, a estrutura que elas vivenciaram também era distinta. “Não tinha esse ginásio grande. O fundamental era menor. Mudou bastante coisa. Tivemos um irmão que estudou aqui também e saiu em 2009. No nosso tempo era menor, mas também muito aconchegante. Eram só duas turminhas de cada série. O uniforme era outro, com camisa amarelinha e saia marrom. E lembro quando estava no Jardim III e tinha uma porta que dava de uma sala para outra. As crianças adoravam ficar brincando de visitar umas as outras de vez em quando”, disse Cibele.

Magia natural

Para elas, as palavras magia, beleza, natureza e diversão são as que mais vêm à mente para definir o que viveram. “Muita coisa tinha esse caráter mágico mesmo. Havia o Bocão, que era como a gente chamava a lixeira que falava, que agradecia quando jogávamos o lixo dentro. Tinha o jacaré de pedra. O coelho pintado de amarelinho com sainha marrom”, recordou Diana.

“E, como hoje, já era um pequeno zoológico. Tinha pavão andando solto. Tucanos, araras, papagaio e um cervo, que a gente chamava de Bambi e adorávamos. Quem tinha um Bambi? Só a gente! Não tem como não falar da escola com gosto, com amor, com saudade”, completou Cibele, que se recordou, inclusive de uma história familiar. “A escola era linda, com natureza, plantas, verde e brincadeiras. Eu me encantei direto. O meu pai me fala que nos primeiros dias eu só chorei porque vi minha mãe chorando. Chorava e dizia: ‘Como assim ela vai embora numa boa, assim, tão fácil’”, sorriu.

Liberdade responsável

Mesmo com um olhar tão distanciado, outra marca que ficou da experiência das irmãs foi de um período de liberdade e de protagonismo. “A gente viveu uma experiência muito mais solta do que em qualquer outra escola. Claro, sempre dentro dos limites. Acho que é um retrato do método e do ambiente. Um plus, um diferencial. Olhando de longe, é algo que estimula a criatividade da criança de várias formas”, opinou Cibele.

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